Mulheres são suspeitas de produzir e compartilhar vídeos de adolescentes; Secretaria da Educação confirma que investigadas não atuam mais na rede estadual.
Uma operação da Polícia Civil investiga duas professoras que atuavam na rede estadual de ensino de Santa Catarina por suspeita de envolvimento em crimes relacionados à pornografia infantojuvenil. As ações ocorreram nesta semana em Araranguá, no Sul do estado, onde foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão.
De acordo com a delegada Eliane Chaves, responsável pelo caso, o inquérito apura os crimes de produção, armazenamento e compartilhamento de vídeos e imagens contendo cenas de nudez e pornografia envolvendo adolescentes. O material recolhido durante a operação será submetido à perícia.
“Com o recolhimento desse material para a perícia, nós veremos que tipo de crime foi praticado e iniciaremos a coleta de depoimentos de todas as pessoas envolvidas”, explicou a delegada.
A investigação envolve duas professoras e quatro alunos, todos maiores de 14 anos. Segundo a Polícia Civil, não há indícios de violência nas imagens. Além dos crimes relacionados à pornografia, o inquérito também apura a entrega e o fornecimento de bebida alcoólica a menores de idade e a possível omissão de autoridades em denunciar o que estaria ocorrendo.
A Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina (SED) informou, por meio de nota, que as duas professoras não fazem mais parte da rede estadual de ensino.
Caso os crimes sejam confirmados, as penas podem chegar a 18 anos de prisão, considerando a soma das infrações investigadas.
A operação continua sob sigilo enquanto a perícia analisa os materiais apreendidos e as oitivas são realizadas.
Contexto e dados recentes sobre pornografia infantil e vulnerabilidades digitais
O Brasil é apontado entre os países com maior incidência de casos ligados à pornografia infantil na internet. A pedofilia virtual — que engloba produção, compartilhamento e armazenamento de material pornográfico envolvendo menores — tem ganhado cada vez mais visibilidade e denúncias.
Segundo organizações que monitoram crimes digitais, a pornografia infantil ocupa posição de destaque nas denúncias recebidas via Disque 100 e por entidades como a SaferNet Brasil. Também se destaca que muitos casos permanecem subnotificados, por medo ou vergonha das vítimas, o que alimenta uma “escuridão estatística” no enfrentamento desses crimes.
Especialistas alertam ainda para o fenômeno da adultização digital: a exposição precoce de crianças e adolescentes a conteúdos sexualizados nas redes sociais e ambientes digitais pode normalizar condutas abusivas e aumentar sua vulnerabilidade. Em 2025, o debate ganhou força com repercussão nacional, estimulando reflexões sobre como as plataformas online podem contribuir para a proliferação desses conteúdos e como leis e políticas públicas devem evoluir para acompanhar essa nova realidade.
No âmbito escolar, entende-se que as instituições têm papel fundamental na prevenção e identificação precoce de sinais de abuso ou exploração entre estudantes, bem como no acolhimento e encaminhamento adequado às autoridades competentes.
















