17. março 2026

Caso Daiane: cronologia da morte de corretora encontrada em área de mata em Caldas Novas

O corpo da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, foi encontrado na madrugada desta quarta-feira (28), em uma área de mata no município de Caldas Novas, em Goiás. A informação foi confirmada pela Polícia Civil de Goiás, que investiga o caso como homicídio.

Daiane estava desaparecida desde o dia 17 de dezembro de 2025. O principal suspeito do crime é o síndico do condomínio onde a vítima morava, Cléber Rosa de Oliveira, que confessou o assassinato à polícia. O filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, também foi preso, suspeito de envolvimento no crime.

Histórico de conflitos

As desavenças entre Daiane e o síndico começaram em novembro de 2024, período em que a corretora administrava apartamentos no mesmo condomínio onde Cléber exercia a função de síndico.

Ao longo desse período, Daiane moveu 12 processos judiciais contra Cléber. O síndico também chegou a ser denunciado pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) pela suposta prática do crime de perseguição contra a corretora.

Entre fevereiro e outubro de 2025, os conflitos se intensificaram. Registros apontam episódios de discussões, interrupções de serviços essenciais — como água, energia elétrica, gás e internet — além de restrições à entrega de encomendas no apartamento da vítima.

Interrupções de energia

Segundo decisões do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), a interrupção de energia registrada em dezembro não foi um caso isolado. A primeira reclamação ocorreu em 4 de junho de 2025.

Na ocasião, Daiane verificou que não havia débitos junto à concessionária de energia. O corte teria sido realizado pelo próprio condomínio, sob a alegação de que a moradora realizava atividade comercial de marcenaria no imóvel.

Daiane negou a acusação, informando que apenas havia instalado um armário para uso pessoal. Ainda assim, conforme consta em ação judicial, o religamento da energia teria sido condicionado à entrega de materiais, além de restrições impostas à entrega de encomendas.

Desaparecimento

Daiane desapareceu no dia 17 de dezembro, após descer ao subsolo do prédio para verificar a causa da queda de energia em seu apartamento.

Câmeras de segurança registraram o momento em que ela entrou no elevador, passou pela portaria, conversou com o recepcionista sobre a falta de energia e retornou ao elevador para descer ao subsolo. Após isso, não há imagens dela deixando o prédio ou retornando ao apartamento.

Durante o trajeto, a corretora gravou um vídeo e enviou a uma amiga, mostrando o apartamento sem energia e registrando o caminho até o elevador.

Família aguardava retorno

Natural de Uberlândia (MG), Daiane morava em Caldas Novas havia cerca de dois anos e administrava seis apartamentos da família no condomínio.

Ela havia combinado de se encontrar com a mãe no dia 18 de dezembro, mas não compareceu. Diante do sumiço, a família registrou boletim de ocorrência ainda naquela noite.

Familiares relataram que a porta do apartamento foi deixada aberta no momento do desaparecimento, indicando que Daiane pretendia retornar rapidamente. No entanto, quando a família chegou ao local, a porta estava trancada.

A polícia quebrou o sigilo bancário da vítima e constatou que não houve movimentações financeiras após o desaparecimento. Buscas foram realizadas nas imediações e o sinal do celular não foi mais localizado.

Corpo encontrado e prisões

O corpo de Daiane foi localizado 43 dias após o desaparecimento, em uma região de mata em Caldas Novas, em avançado estado de decomposição.

De acordo com a Polícia Civil, o síndico confessou o crime e levou os investigadores até o local onde o corpo foi deixado. Em depoimento, Cléber afirmou que matou Daiane após uma discussão no subsolo do prédio e que teria agido sozinho.

Ele relatou que colocou o corpo na carroceria de sua caminhonete e deixou o condomínio na noite do crime. A versão contradiz o depoimento inicial, no qual afirmou não ter saído do local. Imagens de câmeras de segurança mostram o suspeito deixando o condomínio por volta das 20h do dia 17 de dezembro.

O caso segue sob investigação.

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