Bailarina mais velha a se apresentar no evento conquistou o primeiro lugar no sapateado, na categoria 60+, com o grupo Instituto Jovens de Coração
Aos 98 anos, Maura Baccaro, conhecida carinhosamente como Dona Maura, fez história no 43º Festival de Dança de Joinville. Considerada a bailarina mais velha a se apresentar no evento, ela conquistou o primeiro lugar na categoria 60+, junto com o grupo Instituto Jovens de Coração, com a coreografia “Tempo”.
A apresentação aconteceu no Teatro Juarez Machado, durante a programação do Festival 40+, e emocionou o público. Sempre sorridente e carismática, Dona Maura recebeu aplausos e o incentivo da plateia ao entrar no palco.
A história da bailarina chama ainda mais atenção porque ela começou a dançar aos 95 anos. Moradora de São José dos Campos, no interior de São Paulo, foi na cidade que teve os primeiros contatos com o sapateado.
A aproximação com a dança aconteceu de maneira inesperada. Dona Maura costumava acompanhar a neta, que fazia aulas de sapateado em uma academia próxima de casa. A professora acabou fazendo o convite para que ela também participasse das atividades.
“Eu levava minha neta para sapatear na academia, que era pertinho de casa. Eu achava engraçado que ela sapateava, achava bonitinho, mas eu nunca tive aquela ‘coisa’. Mas, até hoje eu brinco com ela que ela nunca me ensinou a sapatear, ela me responde: ‘mas você nunca pediu’”, contou Dona Maura em entrevista à CBN Joinville.
Um espaço para a maturidade
Aline Cordeiro, idealizadora do Instituto Jovens de Coração, explica que o trabalho desenvolvido pelo grupo busca incentivar a participação de pessoas maduras na dança.
Segundo ela, quando o projeto começou, em 2013, ainda era pouco comum encontrar iniciativas voltadas à dança para pessoas mais velhas. O contato com outros alunos ajudou Dona Maura a perceber que também poderia fazer parte daquele universo.
“Não se pensava na dança para pessoas maduras, isso é muito novo. Mas, quando eu comecei esse trabalho com a maturidade, em 2013, e que ela viu pessoas maduras dançando, foi onde ela viu e pensou: ‘opa, eu posso pertencer’”, explicou Aline.
No início, Dona Maura não demonstrava interesse em participar das aulas. Com o tempo, porém, tornou-se uma aluna assídua. Hoje, é a própria neta quem a incentiva a não faltar aos encontros.
“Quando eu falo que não vou ir, ela já pergunta: ‘mas o que você tem, vó?’”, contou a bailarina.
Primeiro lugar e promessa de retorno
Prestes a completar 99 anos, Dona Maura comemorou a conquista ao lado do grupo. A apresentação da coreografia “Tempo”, criada por Aline Cordeiro, garantiu o primeiro lugar na categoria de grupo 60+.
Com bom humor, a bailarina já confirmou que pretende voltar ao Festival no próximo ano.
“Eu venho buscar a taça aqui ano que vem. Eu gostei do negócio, estou importante”, brincou.
A participação de Dona Maura também chamou atenção durante o cadastro do Festival. O sistema precisou ser adaptado porque a faixa de ano de nascimento disponível não contemplava a idade da bailarina, que nasceu em 1927.
Dança e longevidade
O Instituto Jovens de Coração desenvolve atividades voltadas para pessoas com mais de 45 anos. No grupo que participou do Festival de Dança de Joinville, estão integrantes com mais de 60 anos, incluindo alunos com mais de 80 e Dona Maura, que tem mais de 90.
Questionada sobre o segredo da longevidade, a bailarina afirma que não sabe explicar, mas acredita que ainda tem muito a viver e fazer.
“Sabe que eu não sei? Porque Deus é maior que nós e ele falou assim: ‘não chegou sua hora ainda, vai brincar um pouco de casinha, de dançar, quando chegar sua hora eu te chamo’”, disse.
A trajetória de Dona Maura no Festival de Dança de Joinville mostra que não existe idade para começar algo novo. Aos 95 anos, ela deu os primeiros passos no sapateado. Aos 98, subiu ao palco, conquistou o público e ajudou seu grupo a alcançar o primeiro lugar.
E, pelo que promete, a história ainda terá novos capítulos.












