13. setembro 2026

Homem é condenado a 31 anos e 10 meses de prisão pela morte da advogada Karize em Caçador

Julgamento durou quase 15 horas; réu foi condenado por homicídio qualificado por feminicídio e ocultação de cadáver

Eloid da Cruz Antunes foi condenado a 31 anos e 10 meses de prisão pela morte da advogada Karize Ana Fagundes Lemos, em julgamento realizado nesta quinta-feira (10), no Tribunal do Júri da Comarca de Caçador. A sessão começou às 7h30 e terminou às 22h27, quando a sentença foi lida.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Karize foi morta pelo companheiro em 28 de setembro de 2024, dentro da própria residência, em Caçador. O corpo foi posteriormente levado para uma área de mata no Paraná e ocultado.

A condenação ocorreu pelos crimes de homicídio qualificado, com qualificadoras apontadas na denúncia, e ocultação de cadáver. A pena fixada pelo Tribunal do Júri foi de 31 anos e 10 meses de prisão.

Durante o julgamento, os Promotores de Justiça Diego Bertoldi e Marco Antônio Vargas Sandi apresentaram aos jurados a dinâmica do crime e as provas reunidas durante a investigação.

Segundo o MPSC, o crime teria ocorrido depois que Karize manifestou a intenção de terminar o relacionamento. A vítima estava em recuperação de uma cirurgia nos rins e, conforme a investigação, foi enforcada com uma corda de sisal retirada de um arranhador de gatos.

Após a morte, ainda segundo as investigações, o corpo foi enrolado em um cobertor e colocado dentro do carro. O acusado teria seguido até um posto de combustível e, posteriormente, percorrido cerca de 150 quilômetros até Palmas, no Paraná, onde o corpo foi deixado em uma plantação de pinus.

A localização do corpo foi descoberta posteriormente a partir de trabalho de inteligência baseado em dados extraídos do celular. A identificação foi confirmada por meio da comparação da arcada dentária da vítima com registros de um exame odontológico realizado anteriormente.

Eloid foi preso dois dias após o crime, em um motel em Guaíra, no Paraná. Segundo as investigações, dois amigos do acusado procuraram a polícia depois de receberem uma ligação na qual ele teria contado detalhes sobre o que havia feito.

Durante o julgamento, sete testemunhas foram ouvidas, entre elas pessoas próximas a Karize, policiais civis, uma funcionária do posto de combustível e os dois amigos que procuraram a delegacia. O réu também foi interrogado e confessou o crime.

Karize havia aberto o próprio escritório de advocacia meses antes de ser morta e também era conhecida pelo envolvimento com animais. Segundo o MPSC, ela mantinha cinco gatos em casa e costumava resgatar animais encontrados nas ruas. As investigações apontaram ainda que três dos gatos foram mortos no mesmo dia do crime.

O pai da vítima, Rudnei, acompanhou o julgamento e afirmou que a condenação não devolve a filha, mas representa um alívio após o período de angústia vivido desde o desaparecimento.

O caso ocorreu em setembro de 2024, antes da entrada em vigor da legislação que passou a tratar o feminicídio como crime autônomo. Por esse motivo, conforme explicou o MPSC, a aplicação da legislação atual não poderia retroagir para prejudicar o réu.

O Ministério Público também destacou que o caso integra as estatísticas do Mapa do Feminicídio de Santa Catarina relacionadas a mortes provocadas por parceiros ou ex-parceiros e a situações em que a vítima manifesta intenção de terminar o relacionamento.

Em situações de violência contra a mulher, denúncias podem ser feitas pelo telefone 190, da Polícia Militar; 181, da Polícia Civil; ou 180, da Central de Atendimento à Mulher. O Ministério Público de Santa Catarina também disponibiliza o telefone 127 para atendimento pela Ouvidoria.

Fonte: Ministério Público de Santa Catarina

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