22. abril 2026

Entre raízes e realeza: segundo traje antecipa essência do vestido oficial da Festa do Pinhão

Produção apresentada neste sábado (4) valoriza ancestralidade, trabalho manual e identidade cultural da Serra Catarinense

A realeza da 36ª Festa Nacional do Pinhão apresentou, na noite deste sábado (4 de abril), o segundo traje oficial que integra a coleção deste ano. A revelação ocorreu durante a abertura oficial da colheita do pinhão, no Mercado Público Municipal Osvaldo Uncini, em Lages.

Mais do que uma produção estética, o traje foi concebido como uma narrativa visual sobre tempo, ancestralidade e identidade cultural. As peças foram confeccionadas pelo La Unica Ateliê, de Lages, e vestidas pela rainha Maria Júlia Branco da Silveira e pelas princesas Maria Luisa Furtado Boeno e Emilie da Silva Pereira.

A proposta parte de uma releitura do chiripá, peça tradicional da cultura gaúcha anterior à bombacha, resgatando elementos históricos e adaptando-os para uma composição feminina contemporânea.

A concepção inicial foi do executivo de comunicação da Prefeitura de Lages, Diogo Schimitz, e ganhou forma pelas mãos da estilista Ana Lopes. “O look não apenas veste, ele narra uma história e uma cultura”, destacou.

A prefeita Carmen Zanotto também ressaltou o significado da produção. “Esses trajes representam a nossa identidade, valorizam a cultura serrana e mostram como tradição e inovação podem caminhar juntas”, afirmou.

Do passado ao presente: a força do chiripá

O traje reforça a conexão com as origens ao trazer o chiripá como elemento central. A peça simboliza um período em que o trabalho manual era essencial, conceito que guia toda a coleção.

Confeccionado em lã nobre com fios de lurex, o tecido equilibra tradição e sofisticação. O conjunto inclui ainda casaco inspirado no jaleco gaúcho e botas em tom de pinhão, compondo um visual que une história e contemporaneidade.

O feito à mão como protagonista

O trabalho artesanal é um dos principais destaques. Cada detalhe foi desenvolvido manualmente, com técnicas que valorizam o tempo e o cuidado na produção.

Entre os elementos, estão flores produzidas a partir da falha do pinhão — parte geralmente descartada —, rendas tingidas manualmente em efeito degradê e franjas de pérolas aplicadas individualmente. Pinhas e outros adornos também foram construídos artesanalmente.

Segundo a estilista Ana Lopes, a escolha pelo manual surge como contraponto ao ritmo acelerado da produção atual.

Memória e continuidade

O traje também carrega significado afetivo. A técnica das flores com a falha do pinhão já havia sido utilizada em 2020, em criações assinadas por Berenice Lopes Omizzolo, mãe da estilista.

O resgate reforça a transmissão de saberes entre gerações. A equipe responsável inclui ainda Dilma Guiorz, Rosângela Luís, Matheus Alvez e Kiara Leal Fogaça.

Símbolos que contam a história da festa

Os acessórios ampliam a narrativa cultural. O camafeu, reinterpretado de forma contemporânea, traz pintura manual da gralha-azul, ave símbolo da região e responsável pela disseminação da araucária.

As coroas também reforçam essa simbologia ao incorporar elementos que remetem à pinha e à árvore típica da Serra Catarinense.

Participação e identidade

A construção dos trajes contou com a participação da realeza. Segundo a estilista, o envolvimento das representantes é fundamental para que elas se reconheçam na proposta.

A rainha e as princesas representam não apenas a festa, mas também a continuidade de uma tradição que atravessa gerações.

Caminho até o vestido oficial

O segundo traje faz parte de uma construção maior e antecipa elementos que estarão presentes no vestido oficial da festa.

A 36ª Festa Nacional do Pinhão será realizada entre os dias 22 de maio e 7 de junho, em Lages.

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