Representantes de sindicatos de metalúrgicos e trabalhadores da indústria de alimentos apontam expectativas com a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas
O possível fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas estão entre as mudanças que despertam expectativas entre trabalhadores de setores industriais de Santa Catarina. Representantes dos metalúrgicos de Joinville e dos trabalhadores da indústria de alimentos de Concórdia e região relatam que a perspectiva é de mais tempo para descanso, convivência familiar e qualificação profissional.
Os presidentes do Sindicato dos Metalúrgicos de Joinville, Rodolfo de Ramos, e do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e em Cooperativas de Concórdia e Região (Sintrial), Carlos Orlando dos Santos Junior, afirmam que trabalhadores já buscam informações sobre os possíveis impactos da mudança na rotina profissional.
Segundo Rodolfo de Ramos, durante uma conversa com funcionários na entrada da empresa Tupy, em Joinville, ele percebeu interesse e expectativa em relação à proposta. Também houve questionamentos sobre a possibilidade de redução salarial, preocupação que, conforme o sindicalista, precisa ser esclarecida.
Carlos Junior avalia que a redução da jornada representa uma oportunidade de melhorar as condições de trabalho. Para ele, a mudança pode contribuir para a saúde dos trabalhadores e ampliar o tempo disponível para atividades fora do ambiente profissional.
Impacto entre os metalúrgicos de Joinville
O Sindicato dos Metalúrgicos de Joinville representa aproximadamente 22 mil trabalhadores. Considerando também os segmentos de refrigeração, mecânica e moldes, representados por outras entidades, o setor metalmecânico da cidade reúne cerca de 40 mil trabalhadores.
Entre as empresas citadas está a Tupy, que emprega aproximadamente 8,5 mil pessoas em Joinville. Desse total, mais de 6 mil atuam diretamente nas linhas industriais. Atualmente, a jornada de parte dos trabalhadores inclui sábados alternados.
Outras empresas do setor, como Schulz e Docol, adotam jornadas de segunda a sexta-feira, com carga semanal de 44 horas distribuída em turnos diários de oito horas e 48 minutos.
Na avaliação de Rodolfo de Ramos, a redução da jornada poderá diminuir o tempo diário de trabalho nesses casos. Ele também aponta possíveis mudanças para os funcionários do turno noturno, que atualmente contam com períodos de folga específicos conforme a organização dos turnos. Os efeitos concretos, porém, dependerão de como a jornada será reorganizada.
Trabalhadores da indústria de alimentos
Em Concórdia e região, o setor de alimentação reúne mais de 6 mil trabalhadores, conforme os dados apresentados pelo Sintrial. Entre as empresas citadas estão a MBRF, responsável pelas marcas Sadia e outras operações do grupo, e a JBS, que mantém unidade no município de Ipumirim.
De acordo com Carlos Orlando dos Santos Junior, a maioria dos associados da região já trabalha na escala 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso. Mesmo assim, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas poderá beneficiar esses profissionais.
O sindicalista aponta que a diminuição da carga horária pode contribuir para reduzir o desgaste físico e mental em linhas de produção, além de ampliar o tempo de convivência com a família.
Mais tempo para descanso e qualificação
Além do descanso, a possibilidade de dedicar mais tempo aos estudos aparece entre as expectativas dos trabalhadores das duas regiões. Segundo os representantes sindicais, parte dos profissionais, especialmente os mais jovens, frequenta cursos técnicos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) ou cursos de graduação em instituições de ensino da região.
Rodolfo de Ramos também incentiva os trabalhadores a investir na qualificação profissional, tanto em cursos técnicos quanto no ensino superior. Para ele, a formação pode ampliar as oportunidades de crescimento na carreira.
O dirigente cita ainda a presença de trabalhadores migrantes nas indústrias de Joinville, incluindo profissionais venezuelanos. Segundo ele, a qualificação pode contribuir para que esses trabalhadores aproveitem oportunidades de desenvolvimento profissional.
As mudanças na jornada e na organização das escalas dependerão das regras que vierem a ser efetivamente estabelecidas. Até que haja definição e implementação das medidas, os impactos concretos sobre os diferentes setores e turnos ainda precisam ser esclarecidos.













