17. julho 2026

Novo laudo descarta risco de desmoronamento imediato, mantém hospital interditado e recomenda revisão do projeto de estabilização em Correia Pinto

Estudo aponta que a encosta continua instável, mas com movimentação lenta e progressiva. Moradores podem permanecer em suas casas, enquanto o antigo Hospital Municipal Faustino Riscarolli deve seguir desocupado.

A Prefeitura de Correia Pinto recebeu o novo Laudo de Avaliação Geotécnica da área do antigo Hospital Municipal Faustino Riscarolli. Elaborado pela BSE Engenharia Geotécnica e Ambiental e emitido em 9 de julho de 2026, o documento confirma que não há indícios de desmoronamento súbito da encosta, mas reforça que o terreno permanece instável e exige monitoramento contínuo.

O estudo teve como base uma inspeção técnica realizada no dia 4 de julho, além da análise de laudos, projetos e investigações anteriores sobre a área.

Segundo o relatório, os deslocamentos observados não são classificados como movimentos muito rápidos. Ainda assim, a movimentação do solo continua ocorrendo de forma lenta e progressiva, podendo se intensificar durante períodos de chuva intensa. Por isso, a recomendação é manter o acompanhamento técnico permanente da encosta.

Projeto de estabilização precisará ser revisado

O novo laudo também analisou o projeto executivo de estabilização elaborado em 2024. O documento reconhece que os estudos anteriores foram importantes e utilizaram investigações adequadas do subsolo, mas conclui que novas evidências indicam a existência de superfícies de ruptura mais profundas do que as consideradas inicialmente.

Diante desse cenário, os especialistas recomendam revisar o modelo geomecânico da encosta antes da execução de qualquer obra definitiva.

Entre as medidas sugeridas estão:

  • revisão das análises de estabilidade;
  • realização de novos ensaios geotécnicos;
  • retroanálises dos movimentos já registrados;
  • atualização do projeto de estabilização;
  • avaliação técnica e econômica da solução definitiva.

Conforme o estudo, executar imediatamente o projeto elaborado anteriormente, sem essa reavaliação, poderia resultar em uma obra incompatível com as condições reais do terreno.

Moradores permanecem nas residências

Outro ponto destacado pelo laudo é a situação das residências localizadas na parte inferior da encosta.

Os técnicos afirmam que, até o momento, não foram identificados danos estruturais ou sinais que justifiquem a retirada preventiva dos moradores. Assim, não há recomendação de evacuação das casas neste momento.

Entretanto, a permanência das famílias está condicionada à implantação imediata de monitoramento topográfico, que permitirá acompanhar qualquer alteração na velocidade ou direção dos deslocamentos do terreno.

Caso novos sinais de instabilidade sejam identificados, essa orientação poderá ser revista.

Hospital continuará fora da área

A situação do antigo Hospital Municipal é diferente da observada nas residências.

Durante a inspeção, os engenheiros identificaram trincas, fissuras, deformações em pisos, infiltrações, afastamento da rampa de emergência e outros danos associados aos movimentos da encosta. Embora as deformações ainda sejam consideradas pequenas, o laudo alerta que elas tendem a evoluir com o tempo, comprometendo a segurança da estrutura.

O documento explica que um hospital exige um nível de segurança muito mais elevado por funcionar de forma ininterrupta e atender pacientes internados, pessoas com mobilidade reduzida e situações de urgência e emergência.

Uso parcial é considerado inviável

O laudo apresenta como alternativa técnica a manutenção da interdição total do prédio ou, em caráter excepcional, a utilização apenas de uma área limitada, desde que fossem cumpridas diversas restrições.

Entre elas estão:

  • atendimento apenas de baixa complexidade;
  • proibição de funcionamento noturno;
  • interrupção das atividades durante chuvas intensas;
  • monitoramento permanente da estrutura e da encosta.

Segundo os especialistas, essas exigências são incompatíveis com o funcionamento normal de um hospital, motivo pelo qual a recomendação é manter a unidade fora da área de risco.

Próximas etapas

O laudo estabelece uma sequência técnica para os próximos trabalhos, incluindo:

  • monitoramento topográfico das residências;
  • acompanhamento geotécnico da encosta;
  • monitoramento estrutural do hospital;
  • revisão do modelo geomecânico;
  • novos ensaios de campo;
  • atualização do projeto de estabilização;
  • análise da viabilidade técnica e econômica da obra;
  • definição do futuro uso da área.

Ao final do documento, a Prefeitura reforça que o novo estudo não aponta risco de desmoronamento imediato da encosta, não recomenda a retirada das famílias vizinhas e confirma a necessidade de manter o hospital interditado até que uma solução definitiva seja tecnicamente validada.

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