Encontro realizado em São Ludgero reuniu protetores, autoridades e representantes da causa animal para discutir o abandono de cães e gatos, além da ampliação de políticas públicas voltadas ao bem-estar animal
O abandono de animais e a necessidade de ampliar as políticas públicas de proteção animal estiveram no centro dos debates durante uma audiência pública promovida pela Comissão de Proteção, Defesa e Bem-Estar Animal da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). O encontro foi realizado na noite de quinta-feira (25), na Câmara de Vereadores de São Ludgero, reunindo protetores independentes, representantes de organizações não governamentais (ONGs), autoridades e membros da comunidade.
A audiência encerrou um ciclo de seis encontros promovidos pela comissão em diferentes regiões do Estado. Além de São Ludgero, os debates ocorreram em São Miguel do Oeste, Lages, Garopaba, Rio das Antas e Três Barras, com o objetivo de levantar as principais demandas relacionadas à causa animal em Santa Catarina.
Durante a reunião, voluntários relataram as dificuldades enfrentadas diariamente para resgatar, tratar e encaminhar animais abandonados para adoção. Segundo representantes da Associação de Proteção aos Animais (APA) de São Ludgero, estima-se que cerca de 250 cães estejam atualmente em situação de abandono apenas no município.
Os participantes destacaram que grande parte desse trabalho é realizada por protetores independentes, que dedicam horas diárias aos cuidados dos animais, muitas vezes sem apoio financeiro ou estrutura oferecida pelo poder público.
O presidente da Comissão de Proteção, Defesa e Bem-Estar Animal da Alesc, deputado Marcius Machado, ressaltou que Santa Catarina possui legislação voltada à proteção animal, mas afirmou que ainda há desafios para garantir sua efetiva aplicação. Entre as principais demandas apresentadas nas audiências está a ampliação dos programas permanentes de castração.
Além da castração, também foram apontadas como prioridades a vacinação, a microchipagem e a identificação eletrônica dos animais, medidas consideradas fundamentais para reduzir o abandono e facilitar a responsabilização dos tutores em casos de negligência.
Outro tema debatido foi a criação de um Censo Animal, ferramenta que permitirá identificar a população de cães e gatos em cada município e subsidiar o planejamento de políticas públicas mais eficientes. A estimativa apresentada durante a audiência aponta que mais de três mil animais estejam abandonados em toda a região Sul do Estado.
Representantes da causa animal também defenderam o fortalecimento das ações municipais, com ampliação do atendimento veterinário público, apoio financeiro às ONGs e protetores independentes, além de campanhas permanentes de conscientização sobre guarda responsável.
Entre os encaminhamentos apresentados durante a audiência estão a ampliação dos programas de castração, implantação da microchipagem, criação do Censo Animal, expansão do atendimento veterinário público, incentivo às entidades de proteção animal e aplicação rigorosa da legislação contra maus-tratos e abandono.
Ao final do encontro, os participantes reforçaram que a efetivação das políticas públicas depende de investimentos contínuos e planejamento por parte do poder público para enfrentar o crescimento do abandono de animais em Santa Catarina.
Foto: Jeferson Baldo/Agência Alesc













