Cartão-postal de Florianópolis completa centenário reunindo memória, engenharia e legado histórico para o Estado
A Ponte Hercílio Luz, principal cartão-postal de Florianópolis e um dos maiores símbolos de Santa Catarina, completa 100 anos reafirmando sua importância histórica, cultural e arquitetônica para o Estado. Mais do que uma ligação entre a Ilha de Santa Catarina e o continente, a estrutura se consolidou como símbolo da identidade catarinense e da resistência de sua população.
Ao longo das décadas, a ponte acompanhou transformações urbanas, enfrentou períodos de interdição e passou por um amplo processo de restauração que garantiu sua preservação como patrimônio histórico e cultural.
A história da ligação fixa entre a capital catarinense e o continente começou ainda no fim do século XIX. Na época, Florianópolis — então chamada Nossa Senhora do Desterro — dependia exclusivamente do transporte marítimo. O isolamento da cidade motivava debates sobre a possibilidade de transferência da capital para cidades do interior, como Lages e Curitibanos.
A construção da ponte ganhou força durante os mandatos do governador Hercílio Luz, engenheiro formado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Inspirado por estruturas metálicas vistas na Europa, ele decidiu pela implantação de uma ponte pênsil, sustentada por cabos e sem apoio no vão principal.
O projeto foi desenvolvido pela empresa norte-americana American Bridge. As peças da estrutura chegaram desmontadas ao Brasil em navios, e grandes canteiros de obras foram montados nos lados continental e insular, mobilizando centenas de trabalhadores.
Durante a execução da obra, Hercílio Luz enfrentou problemas de saúde causados por um câncer. Mesmo debilitado, participou de uma cerimônia simbólica realizada em 1924, pouco antes de morrer. Em homenagem ao governador, a estrutura passou a levar seu nome antes mesmo da conclusão definitiva, em 1926.
Quando foi inaugurada, a travessia impressionava moradores e visitantes. Os veículos da época, como as tradicionais jardineiras e os automóveis Ford Modelo T, transitavam sobre pranchões de madeira instalados na estrutura metálica.
Com o passar dos anos, a ponte enfrentou desafios estruturais. Em 1969, o piso de madeira foi substituído por asfalto, solução que acabou gerando sobrecarga não prevista no projeto original. O desgaste acumulado levou à interdição da ponte em 1982.
Décadas depois, a Ponte Hercílio Luz passou por um amplo processo de restauração estrutural, considerado um dos maiores projetos de preservação patrimonial de Santa Catarina. A revitalização devolveu à população um dos principais marcos históricos do Estado.
Hoje, ao completar 100 anos, a Hercílio Luz segue como símbolo de integração, memória e orgulho para os catarinenses, além de um dos pontos turísticos mais conhecidos do Sul do Brasil.


















