10. junho 2026

As Guerreiras do Tempo” inspiram trajes da realeza da 36ª Festa Nacional do Pinhão

Vestidos apresentados no Casarão Juca Antunes destacam trabalho artesanal, crochê e referências culturais da Serra Catarinense

A realeza da 36ª edição da Festa Nacional do Pinhão teve os trajes oficiais apresentados na noite desta quinta-feira (21 de maio), no Casarão Juca Antunes, em um evento marcado por moda, arte e valorização da cultura serrana.

A rainha Maria Júlia Branco da Silveira e as princesas Maria Luisa Furtado Boeno e Emilie da Silva Pereira apareceram pela primeira vez com os vestidos desenvolvidos especialmente para a edição de 2026 da festa.

Assinados pela estilista Ana Lopes, os trajes foram inspirados no tema “As Guerreiras do Tempo” e têm o crochê como principal elemento estético e simbólico. As peças representam a força feminina, o trabalho artesanal e a identidade cultural da Serra Catarinense.

“Os vestidos representam a força da mulher serrana, o trabalho artesanal da nossa gente e a nossa identidade cultural. Cada detalhe foi pensado para contar uma história ligada às raízes da nossa região e à tradição da Festa Nacional do Pinhão”, destacou a prefeita Carmen Zanotto.

Crochê, araucária e memória

Os vestidos foram confeccionados manualmente ao longo de meses e envolveram crocheteiras da Serra Catarinense. Os fios utilizados passaram por um processo artesanal de tingimento com cascas de pinhão e pedaços de araucária recolhidos do chão.

O vestido da rainha permaneceu durante cinco dias em um fogão à lenha para alcançar a tonalidade desejada. Já os vestidos das princesas receberam tons caramelizados após horas de fervura das fibras naturais.

Além do crochê, os trajes trazem elementos inspirados na gralha-azul, ave considerada fundamental para a preservação da araucária. Ombros estruturados remetendo a armaduras, árvores confeccionadas manualmente, punhos inspirados nas plumagens da ave e detalhes em madeira compõem os figurinos.

“Vestir esse traje é carregar a história de muitas mulheres que ajudaram a construir a Festa Nacional do Pinhão ao longo dos anos. Cada detalhe tem um significado muito especial para nós”, afirmou a rainha Maria Júlia Branco da Silveira.

Homenagem à história da Festa

O projeto também presta homenagem à estilista Berenice Omizzolo, responsável pela criação de mais de quinze vestidos da realeza em diferentes edições da festa. Segundo os organizadores, Berenice tinha o sonho de desenvolver uma peça inteiramente em crochê, proposta agora concretizada pela filha, Ana Lopes.

Participaram diretamente da produção artesanal dos vestidos as crocheteiras Cleci, Joelma, Ivone, Rita, Vera, Elza, Odete, Rose, Dora, Sandra, Andreia e Nilceia, com apoio da Prefeitura de Lages, da Secretaria da Mulher e do setor de artesanato.

Exposição “Costurando Memórias” abre ao público

A noite desta quinta-feira também marcou a abertura da exposição “Costurando Memórias”, desenvolvida pelo Ateliê La Unica em parceria com a companhia de teatro Bravo Bravíssimo.

A mostra apresenta uma experiência imersiva sobre os bastidores da criação da realeza ao longo da história da Festa do Pinhão. Cenografia, iluminação, música e elementos naturais da Serra Catarinense foram integrados ao espaço expositivo montado no Casarão Juca Antunes.

Dividida em três atos — “Lembranças”, “Histórias” e “Transformação” — a exposição utiliza materiais como grimpas de araucária, capim dos pampas e pinheiro americano para compor os ambientes.

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