Iniciativa propõe a criação do selo “Mulheres que Alimentam Santa Catarina” e reforça debate internacional sobre o papel feminino no campo
Santa Catarina pode avançar em uma discussão que vem ganhando destaque em diversos países: o reconhecimento do papel das mulheres na produção de alimentos e no desenvolvimento rural. Com a declaração de 2026 como Ano Internacional da Mulher Agricultora pela Organização das Nações Unidas (ONU), iniciativas voltadas à valorização das trabalhadoras do campo têm ganhado força.
Na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), o tema chegou ao debate por meio de um projeto de lei apresentado pelo deputado estadual Marcius Machado (PL). A proposta cria o selo “Mulheres que Alimentam Santa Catarina”, iniciativa construída a partir de uma sugestão da assessora especial da Casa Civil, Fernanda Cordova.
O projeto busca reconhecer e valorizar mulheres que atuam na agricultura catarinense, seja na produção de alimentos, na administração de propriedades rurais ou no empreendedorismo ligado ao campo. A proposta surgiu da observação de uma realidade presente em diversas comunidades rurais do estado, onde mulheres desempenham funções essenciais para o desenvolvimento econômico e social das propriedades.
Natural da Serra Catarinense e com trajetória ligada à agricultura familiar, Fernanda Cordova destaca que a participação feminina sempre esteve presente na construção da força produtiva do campo.
“Quem vive no interior sabe que as mulheres sempre estiveram entre as grandes responsáveis pelo desenvolvimento das propriedades rurais. Elas produzem, administram, empreendem e cuidam das famílias. Valorizar esse trabalho é reconhecer uma parte importante da história e da força do nosso campo”, afirmou.
Além da certificação de produtos oriundos de empreendimentos liderados por mulheres, o projeto prevê diretrizes para incentivar a capacitação profissional, o empreendedorismo, o acesso ao crédito e a ampliação da participação feminina em associações e cooperativas rurais.
Ao apresentar a proposta, Marcius Machado ressaltou a importância das produtoras rurais para a economia catarinense e defendeu ações que fortaleçam sua visibilidade e ampliem oportunidades de crescimento.
Para Fernanda Cordova, o reconhecimento deve vir acompanhado de políticas públicas capazes de gerar desenvolvimento e fortalecer a permanência das famílias no meio rural.
“O reconhecimento é importante, mas ele precisa vir acompanhado de oportunidades. Quando valorizamos as mulheres do campo, fortalecemos as famílias, a produção e o futuro das nossas comunidades”, destacou.
O projeto segue agora para análise nas comissões da Assembleia Legislativa. Enquanto isso, o debate sobre a valorização das mulheres agricultoras ganha espaço em Santa Catarina, acompanhando um movimento internacional que busca evidenciar a contribuição feminina para a produção de alimentos e para o desenvolvimento sustentável das comunidades rurais.













