COLUNA | Análise política por Santiago
Análise aborda os impactos da movimentação da família Bolsonaro em Santa Catarina e os reflexos dentro do PL catarinense.
Com rejeição de 43,6% em Santa Catarina (AtlasIntel/abril), a estratégia de sobrevivência dos Bolsonaro para 2026, Flávio na Presidência, Carlos no Senado por Santa Catarina e Jair Renan como deputado federal não encontrou apenas resistência eleitoral. Ela implodiu uma guerra civil dentro do PL catarinense que já expulsou aliados, quebrou alianças históricas e transformou a disputa ao Senado num campo minado.
A chegada de Carlos, empurrada pelo ex-presidente como candidato a senador, foi recebida como uma bomba. A deputada federal Carol de Toni, que lidera as pesquisas com 30,7% contra 18,3% de Carlos, viu seu espaço ameaçado e ameaçou deixar o partido. Foi salva pela intervenção de Michelle Bolsonaro, que declarou apoio público a Carol, mas o estrago estava feito. A deputada estadual Ana Campagnolo se tornou a principal voz pública contra a candidatura, criticando abertamente a “imposição” e acusando Carlos de ter empurrado Carol para fora do PL. Carlos reagiu chamando Campagnolo de “mentirosa” e, mais recentemente, a acusou de tentar “usurpar, calar e assassinar Jair Bolsonaro”.
O governador Jorginho Mello, que precisa equilibrar lealdade ao clã com a governabilidade, ficou no olho do furacão. Preferia manter o senador Esperidião Amin na chapa, e sua tentativa de acomodar Carlos provocou um racha que levou o MDB, parceiro histórico, a abandonar sua base e se unir contra ele. A crise expôs abertamente o que muitos catarinenses já sentiam: seu estado está sendo usado como moeda de troca para um projeto de poder nacional.
O tiro está saindo pela culatra. Santa Catarina não aceita ser tratada como colônia eleitoral, e muito menos como palco para rixas familiares que desrespeitam suas lideranças e sua autonomia.
Quem quiser representar o povo catarinense que comece por respeitá-lo e isso inclui não transformar o estado num ringue de disputas pelo trono improvisado de uma família que insiste em se comportar como uma sucessão real.
Análise aborda os impactos da movimentação da família Bolsonaro em Santa Catarina e os reflexos dentro do PL catarinense.


















