Defesa Civil aponta aumento de instabilidades, risco de temporais e temperaturas mais amenas ao longo da estação
A chegada antecipada do fenômeno El Niño deve alterar o comportamento climático em Santa Catarina nos próximos meses. De acordo com a Defesa Civil estadual, o fenômeno, previsto inicialmente para a primavera, já começa a se desenvolver e deve apresentar sinais ainda em julho, durante o inverno.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, influenciando diretamente os padrões de chuva e temperatura em diversas regiões do país. Em Santa Catarina, os efeitos costumam incluir aumento das instabilidades, com maior frequência de tempestades e risco de enchentes, especialmente na região Sul do estado.
No último sábado (2), a aproximação de uma frente fria já provocou temporais em áreas próximas à divisa com o Rio Grande do Sul, atingindo regiões como o Meio-Oeste e o Planalto Sul Catarinense.
A partir de junho, a tendência é de aumento no volume de chuvas e maior intensidade dos temporais, com acumulados que podem superar a média histórica em diversas regiões. Esse cenário está associado à evolução do El Niño, que passa a atuar de forma mais evidente ao longo do inverno.
Em relação às temperaturas, o mês de maio marca o início da queda gradual, com a entrada das primeiras massas de ar frio mais intensas do ano. Junho deve concentrar os períodos mais rigorosos, com mínimas frequentemente abaixo de 10°C e máximas próximas dos 20°C.
Apesar disso, os episódios de frio tendem a ser menos duradouros ao longo do trimestre, ocorrendo de forma mais rápida e intercalada.
Prevenção e monitoramento
Diante do cenário previsto, a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil intensificou ações de prevenção e monitoramento em Santa Catarina. No Vale do Itajaí, região historicamente afetada por cheias, três barragens seguem em operação para contenção de enchentes.
A Barragem Sul, em Ituporanga, passou por um processo de revitalização, com modernização de equipamentos e automação do sistema de operação.
O estado também ampliou sua estrutura de monitoramento, contando atualmente com 172 estações meteorológicas e hidrológicas e quatro radares ativos. A equipe técnica foi reforçada, com aumento no número de meteorologistas e ampliação do serviço de previsão hidrológica.
Além disso, a Defesa Civil atua em conjunto com os municípios em ações preventivas, como limpeza de sistemas de drenagem, manejo de vegetação em áreas de risco e vistorias em locais vulneráveis.
Nos próximos meses, o Fórum Climático de Santa Catarina deve manter o acompanhamento das condições associadas ao El Niño e orientar novas medidas de resposta e prevenção em todo o estado.


















